Todo setembro nascia um pé de vento que soprava na direção norte, rumo à Bahia. Era um modo de renascer, e não apenas aniversariar.
Um espaço onde todos os bichos que habitam a criatura se encontram. Principalmente os sem doma.
11/09/2010
Metamorfose (ou "a velha receita de mudar de idade alterando latitude e atitude")
03/09/2010
As Meninas
Neste cenário onde todos os olhos são opacos, inquietos e corriqueiros, vejo minha angústia em pelo menos dois pares deles. O cachorro se faz de surdo, impassível. Não bule. Não se incomoda nem com o pé do menino que lhe perturba em cutuques extremos. Pensa em morder uma perna de criança, rosnar, latir, mas fica ali, refém de suas próprias pulgas. - Incomodo este cachorro, porque estou incomodado comigo mesmo. Tento acordá-lo porque nunca durmo. E os reinados ali, adjacentes, circunvizinhos, cada um no seu território humano, às vezes canino.
21/08/2010
AS VÁRIAS HISTÓRIAS DO CHAPEZINHO VERMELHO
É manjado, mas sempre bom relembrar em tempos de campanha eleitoral, as muitas maneiras de se contar a mesma história. É a evidência de que a palavra normalmente está a serviço de uma causa, e que em algum momento revela sua mensagem subliminar.
Lá vai.
A notícia do caso do Chapeuzinho Vermelho na imprensa:
JORNAL NACIONAL
(Bonner): "Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem..."
(Fátima): "... mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia."
PROGRAMA DA HEBE CAMARGO
(Hebe ) "... que gracinha, gente. Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi
retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?"
BRASIL URGENTE
(Datena): "... onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades?! A menina ia para a casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva... Um lobo, um lobo safado. Põe na tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de #$*#@&^%#, não !!"
REVISTA VEJA
Autoridades sabiam das intenções do lobo.
REVISTA CLÁUDIA
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.
REVISTA NOVA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.
REVISTA ISTO É
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.
FOLHA DE S. PAULO
Legenda da foto: 'Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador'. Na matéria, quadro explicativo dos hábitos dos lobos e infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.
O ESTADO DE S. PAULO
Lobo que devorou Chapeuzinho seria ativista da CUT.
O GLOBO
Petrobrás apóia ONG do lenhador, ligado a políticos do governo, que
matou um lobo pra salvar menor de idade carente.
ZERO HORA
Avó de Chapeuzinho nasceu no Rio Grande do Sul.
REVISTA CARAS
(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte)
Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho confidencia a CARAS:
"Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa"'
PLAYBOY
(Ensaio fotográfico com a Vovó, no mês seguinte)
Veja o que só o lobo viu..
G MAGAZINE
(Ensaio fotográfico com o lenhador)
Lenhador mostra o machado.
SUPER INTERESSANTE
Lobo mau : mito ou verdade?
15/08/2010
PALAVRA
PALAVRA DE HONRA
...e a hora da verdade, ou do politicamente incorreto.
Charles Maurice de Talleyrand-Périgord, um estadista francês que tomou parte importante nos acontecimentos da Revolução no final do século XVIII, cunhou uma curiosa citação: "A palavra foi dada ao homem para esconder o que pensa". Glup, silêncio.
Se a idéia era causar-impacto-disfarçando-a-realidade, tá certo, mandou bem, e a palavra o ajudou. Mas se o cara queria mesmo falar a verdade, - vas y, j`èn ai marre - penso, com todas as letras, que o Príncipe de Beneveto se a-p-a-t-r-a-l-h-o-u um tanto.
Quem é esse homem afinal? Um mágico de oz? Um camuflador? Impostor de marca maior? A palavra, por mais cuidadosamente manipulada, revela. E a palavra escraviza, meu senhor. Ao mesmo tempo que liberta, também aprisiona. A palavra denuncia até o submundo mais enterrado. Nem no banho fico tão nua quanto quando escrevo. Sou exposta, disposta da forma mais inóspita. A palavra descortina. Uma amiga diz que não escreve porque tem medo do que as pessoas farão com o que sabem dela, e porque não conseguiria olhar nos olhos de quem a lê: “Eu não conheço o peso da palavra viva”, disse ela. É um direito, eu respeito.
A palavra grita aos ventos, palavra não tem pudor. Não esconde, não se subjuga nem se apaga. Não guarda segredos, jamais.
Onde está este homem que consegue esconder seu pensamento?
Quando escrevo, eu me tatuo com a verdade da palavra e levo essa pele para todos os tempos verbais.
DICA DE CANTO: Bonito é quem constrói um canto certo para a palavra politicamente incorreta, mas não a cala. Recomendo um Blog maravilhoso, inteligente, divertido e POLITICAMENTE INCORRETO (Thanks, God!). É o da prima Ana Paula Ávila, genial: http://wwwmeenganaqueeugosto.blogspot.com/
Obs: Essa frase "A palavra foi dada ao homem para esconder o que pensa" está citada no rodapé de "Os Miseráveis", de Victor Hugo. Praticamente no porão. Mesmo assim, me alcançou, e me revelou pensamentos revolucionários. Mérci bien!
14/08/2010
Par e Ímpar na roda!
O Poder da Gôndola
Me falaram, mas eu não tinha acreditado. Depois mais gente falou, e mais, e mais. Aí fui lá ver com meus próprios olhos bobos. E tirar foto desse momento ímpar...
O Par e Ímpar andou na gôndola central da Livraria Cultura! (-noooossa, que honra), e bem posicionado também na Saraiva (-that`s my guy!). Puxa, a gôndola central é lugar dos bestsellers, ou de livro muito bem patrocinado, lobby das big editoras; não é meu caso - ni un, ni l'autre. Tá bem que já repus estoque de 3 livrarias, mas, daí até a gôdola central, báh, são uns tantos quilômetros. Cheguei a achar que algum funcionário tinha esquecido ele ali sem querer, enquanto arrumava livros. Aí deu um tempinho e fui lá conferir, "bater um retrato" do bebê na ciranda, como se tivesse na pracinha em dia de sol. O vendedor me disse que tinham acabado de tirar o Par e Ímpar dali e levado ele pra...vitrine!
Olha ele ali, todo corajoso entre os mais mais. Mazááááá, guri.
E eu toda boba.
Me falaram, mas eu não tinha acreditado. Depois mais gente falou, e mais, e mais. Aí fui lá ver com meus próprios olhos bobos. E tirar foto desse momento ímpar...
O Par e Ímpar andou na gôndola central da Livraria Cultura! (-noooossa, que honra), e bem posicionado também na Saraiva (-that`s my guy!). Puxa, a gôndola central é lugar dos bestsellers, ou de livro muito bem patrocinado, lobby das big editoras; não é meu caso - ni un, ni l'autre. Tá bem que já repus estoque de 3 livrarias, mas, daí até a gôdola central, báh, são uns tantos quilômetros. Cheguei a achar que algum funcionário tinha esquecido ele ali sem querer, enquanto arrumava livros. Aí deu um tempinho e fui lá conferir, "bater um retrato" do bebê na ciranda, como se tivesse na pracinha em dia de sol. O vendedor me disse que tinham acabado de tirar o Par e Ímpar dali e levado ele pra...vitrine!
Olha ele ali, todo corajoso entre os mais mais. Mazááááá, guri.
E eu toda boba.
13/08/2010
SEXTAFEIRATREZE
Voltei. Sexta-feira, dia 13. É agosto.
A bruxa que me habita anda bem solta. Dentro de mim. Sua vassoura é minha imaginação. O espaço de acontecimento é limitado. Alguns vôos cegos contra as paredes dos meus limites a faz circular um pouco e esmorecer rapidamente. Cai sorrindo. Sinto o corpo tremendo e fumaça verde saindo pelo ouvido. Que diferença, ser sexta-feira. Que importância nossos sextos-sentidos, se estão em cestas-básicas de fome. Não enchemos nossa barriga que ronca. Enchemos lingüiças da vida, com carne defumada e papelão molhado, é pobre o conteúdo. Não satisfaz. Seguimos famintos pelo caminho.Tem uma inquietação que devora por dentro em pequenas mordidas que parecem cócegas se nos distraímos. E ardem se nos revoltamos.
Chove na rua, ventam os uivos gelados do inverno e o vazio traz um frio mórbido, mas refrescante. Apesar de tudo, estou feliz. Me organizando. Há séculos que não tenho um final de semana só pra mim.
Que importa, ser dia treze. Qualquer noite de liberdade já é um ano no calendário gregoriano. Vou ficar comigo. Só. Hoje não cabe mais gente nessa redoma repleta com minha própria multidão. Não há desgosto num mês como este. Sinto um gostinho manso do que está por vir e salivo. Já nem lembro o quanto fui em outros tempos. Agosto não é um susto, é um mês marcado pelo encontro certo com nossos demônios que soltam foguetes no salão de festas da nossa inconsciência e nem ouvimos. Não os espantemos, eles são santos, são de casa. Fazem milagres. E daqui a pouco já será outubro.
A bruxa que me habita anda bem solta. Dentro de mim. Sua vassoura é minha imaginação. O espaço de acontecimento é limitado. Alguns vôos cegos contra as paredes dos meus limites a faz circular um pouco e esmorecer rapidamente. Cai sorrindo. Sinto o corpo tremendo e fumaça verde saindo pelo ouvido. Que diferença, ser sexta-feira. Que importância nossos sextos-sentidos, se estão em cestas-básicas de fome. Não enchemos nossa barriga que ronca. Enchemos lingüiças da vida, com carne defumada e papelão molhado, é pobre o conteúdo. Não satisfaz. Seguimos famintos pelo caminho.Tem uma inquietação que devora por dentro em pequenas mordidas que parecem cócegas se nos distraímos. E ardem se nos revoltamos.
Chove na rua, ventam os uivos gelados do inverno e o vazio traz um frio mórbido, mas refrescante. Apesar de tudo, estou feliz. Me organizando. Há séculos que não tenho um final de semana só pra mim.
Que importa, ser dia treze. Qualquer noite de liberdade já é um ano no calendário gregoriano. Vou ficar comigo. Só. Hoje não cabe mais gente nessa redoma repleta com minha própria multidão. Não há desgosto num mês como este. Sinto um gostinho manso do que está por vir e salivo. Já nem lembro o quanto fui em outros tempos. Agosto não é um susto, é um mês marcado pelo encontro certo com nossos demônios que soltam foguetes no salão de festas da nossa inconsciência e nem ouvimos. Não os espantemos, eles são santos, são de casa. Fazem milagres. E daqui a pouco já será outubro.
12/08/2010
Saída de Emergência
Toda vez que decolo,
me descolo do que eu conheço
perco o chão de repente,
viro agente-secreto do meu medo
Sobrevôo nuvens pretas de pensamento,
deito o rosto no meu próprio colo e me acolho.
Em meio à turbulência
me encontro com vivências fantasmas que teorizo.
Quando o avião aterrissa,
pouso a razão sobre minha cabeça
com pressa despressurizo a tristeza
recolho meu trem de pouso
e parto à jato para a vida.
presidenciáveis
Dilma terá o maior tempo na propaganda eleitoral gratuita. Três minutos a mais do que o Serra. Não é por conta da coligação, é porque mulher fala mais mesmo, sempre foi assim. Deveria ter mais gavetas e mais espaço no armário também. O TSE sabe disso. Respeitou a natureza das coisas e decidiu com base antropológica. O Ivan Pinheiro, por mais homem que seja, terá que caprichar na síntese, são 55',56'' de voz. Seu nome não é Enéas, mas quase. É uma pena que não haja muito espaço na política para proparoxítonas. Tipo lím-pi-do. Tipo é-ti-ca.
Recebi por e-mail uma idéia genial, supostamente sugerida por Rita Lee e seu espírito crativo:
Reclamando da inutilidade de programas como o Big Brother, ela deu a sugestão de colocar todos os pré-candidatos à presidência da República trancados em uma casa, debatendo e discutindo seus respectivos programas de governo. Sem marqueteiros, sem assessores, sem máscaras e sem discursos ensaiados. Toda semana o público vota e elimina um. No final do programa, o vencedor ganharia o cargo público máximo do país. Além de acabar com o enfadonho e repetitivo horário político, a população conheceria o verdadeiro caráter dos candidatos. Assim, quem financiaria essa "Casa dos Presidenciáveis" (e, portanto, a campanha política de todos eles) seria o repasse de parte do valor dos telefonemas que a casa receberia, e ninguém mais precisaria corromper empreiteiras ou empresas de lixo sob a alegação de cobrir o 'fundo de campanha'. A idéia não é incrivelmente boa?
Recebi por e-mail uma idéia genial, supostamente sugerida por Rita Lee e seu espírito crativo:
Reclamando da inutilidade de programas como o Big Brother, ela deu a sugestão de colocar todos os pré-candidatos à presidência da República trancados em uma casa, debatendo e discutindo seus respectivos programas de governo. Sem marqueteiros, sem assessores, sem máscaras e sem discursos ensaiados. Toda semana o público vota e elimina um. No final do programa, o vencedor ganharia o cargo público máximo do país. Além de acabar com o enfadonho e repetitivo horário político, a população conheceria o verdadeiro caráter dos candidatos. Assim, quem financiaria essa "Casa dos Presidenciáveis" (e, portanto, a campanha política de todos eles) seria o repasse de parte do valor dos telefonemas que a casa receberia, e ninguém mais precisaria corromper empreiteiras ou empresas de lixo sob a alegação de cobrir o 'fundo de campanha'. A idéia não é incrivelmente boa?
08/08/2010
dia dos pais
LULLABY
Mãe e Pai é presença
que não termina
permanência em refrão
da canção da vida
a soar como cantiga
conhecida e ritmada
de ninar
poema de Tatiana Druck
foto de Enrico Benites
11/07/2010
POLVO PAUL É CAMPEÃO!!!
Polvo Paul, se eu tivesse oito braços, eu o cumprimentaria apertando simultaneamente todas suas mãos vencedoras. Você foi impecável nesta Copa. Igual à Espanha.
Meus sinceros parabéns!
10/07/2010
Palpites x Desejos
Minhas apostas falharam. Eu queria Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai ...eu queria os nossos numa final. Eram palpites do desejo, não há ciência nisso; no máximo, um pouco de fé e um muito de bairrismo. Diferente do que acontece com Paul, que é frio (temperatura da água, digamos), é inglês domiciliado na Alemanha, e acerta sempre. O senhor das previsões infalíveis, com base científica e tudo, é um Polvo. O cara debruça seu corpo de ventosas sobre uma de duas caixas e – bingo!- a coisa acontece. O polvo Paul acaba de acertar mais uma, derrubando o Uruguai do gostinho do terceiro lugar. O polvo está invicto nas suas previsões nesta Copa. Eu não falo mais nada, nem vou dizer que contra Holanda eu prefiro Espanha, porque vai parecer plágio. Recolho meus tentáculos à sua insignificância e deixo o assunto pro Paul. Então assumo o desejo e troco meus ralos palpites por uma verdadeira Wishlist: eu queria que o Lula tivesse visão de Polvo. Eu queria mais polvo na paella valenciana e farto feijão na mesa do nosso povo. Eu queria um molusco de oito patas me fazendo cafuné e um aperto jeitoso de oito braços. Eu queria o Polvo Paul morando dentro da minha bolsa (se não mexesse nos esmaltes nem anéis, bem combinado) e eu nem me importaria de encharcá-la de água marinha vez que outra – não é Prada nem nada. Imagina, um polvo na bolsa, à disposição para as decisões mais importantes da vida!? --- E agora, Paul, açúcar ou adoçante? O vestido decotado ou aquele tailleur clássico? O Reinaldo ou o Rodolfo? Levo guarda-chuva ou vai fazer sol? Esquerda ou direita? Poupança ou CDB? A floresta ou o caminho do rio? - e o poderoso chefão ali, dando as coordenadas nas encruzilhadas da vida, tipo GPS particular. Tá, tá, eu sei que Paul tem coisas mais importantes pra fazer (talvez a mais urgente agora seja preparar justificativas para o caso de erro no resultado da final, just in case). Não é fácil a vida de vidente. Paul mexeu com emoções argentinas, uruguaias, e agora comprou briga com os torcedores holandeses ao indicar com convicção divina que a Espanha seria a campeã da Copa do Mundo de 2010. Se ele errar, vou voltar a palpitar e concluirei que no fundo, no fundo, no fundo (do mar), o real desejo de Paul era ser toureiro, e então foram os desejos que atrapalharam sua implacável profecia. Boa sorte, Paul. Que vença a Espanha!
03/07/2010
dále, dále, hermanos!
Gosto quando o desequilíbrio genuíno é perdoado pela natureza e se supera. Gosto quando a lógica não impera, surpreende. Se não foi assim conosco, podia ter dado certo pra eles, ora bolas. Embora por razões diferentes das de Dunga, Maradona também era um cara desacreditado. Rejeitado, drogado, ultrapassado, um resto de comida, vá lá. De repente, numa virada, aparece todo pai-de-família e começa a fazer tudo direitinho. Até a convocação. Gosto quando a vida dá uma segunda chance. Eu tava tocendo pela virada do Maradona, pelo resgate da sua honra profissional e pessoal. E, convenhamos, de terno e gravata, e barba grisalha, ele até que parece um senhor respeitável. E gostei que manteve sua afetividade mesmo diante da derrota acachapante. Com orgulho e cumplicidade, cumprimentou cada um de seus jogadores, beijando-os após o jogo da derrota. Todo pai de família.
Agora, sigo torcendo pelo futebol sulamericano. Uruguai teve gana pra despachar Gana , só mais um pouqinho e eles nos vingam contra a Holanda, daí Paraguai elimina a Espanha e...celebraremos entre nós essas coisas estranhas de Jabulani.
A cara da Jabulani
Dizem - ela é desequilibrada, enlouquece no caminho e lá pelas tantas altera a rota planejada, desvia o curso, erra a trajetória. Pois então, a seleção brasileira é a cara da Jabulani.
Agora, sem essa de “vilão”, pô. Felipe Melo foi apenas um emblema didático-colorido-escancarado-televisivo da falta de equilíbrio emocional da seleção. Mas Dunga também mostrou descontrole imaturo no relacionamento com a imprensa e com seu próprio ego, ora. E, convenhamos, já tinha desequilibrado nossas expectativas na convocação, quando deixou Ronaldinho, Pato, Ganso e outros bichos de fora da Arca, que acabou afundando com o excesso de experiência - ou de consciência, se é que ela entra no cálculo do limite de peso. Mas Dunga é do bem, apesar do desequilíbrio, tem integridade moral, personalidade e muuuita vontade própria - como a Jabulani!!.
Então vamos parar de crucificar Julio César, que foi impecável até o lance atrapalhado do gol de empate; antes disso, o mundo romano esteve pacatamente sob seu controle. E, convenhamos, Robinho também deu gritos histéricos e Kaká levou seu cartão vermelho de vergonha. Chega de diz-que-diz-que. Desequilibrados somos todos, sobretudo nós, que torcemos e acreditamos. Porque já sabíamos dos limites, mas nos enganávamos com os próprios olhos (agora marejados), pois somos brasileiros, suscetíveis ao auto-engano, embriagados pelo desejo, e comandados pelo coração – thanks, God. Celebremos, somos todos Jabulanis.
Valeu, Dunga!
02/07/2010
Um banho de laranja fria..
Inadvertidamente, a fruteira do Zaffari Higienópolis de POA, neste criativo e belo trabalho, prestou uma justa homenagem frugal à Laranja Mecânica...
E vai ser duro fazer do limão uma limonada...
tá tudo tipo azedo nesse luto coletivo.
tá tudo tipo azedo nesse luto coletivo.
20/06/2010
3 Brasil x 1 Costa do Marfim
12/06/2010
papinha de abobrinha pro bicho blogue
Meus escassos (mas bons e fiéis) escudeiros, digo, seguidores, têm me dito que esse espaço aqui é para a gente responder aquilo que...ninguém pergunta. Tipo assim, ir falando, postando, nutrindo e deixar o bicho aí, mastigando, digerindo. Eu sei lá, tô alimentando o bicho-blogue aos pouquinhos, que é pra nós dois nos acostumarmos, entende? não é fácil entrar na jaula do leão e entregar o pratinho. Então, sei não...vamos assim, de papinha em papinha, que ninguém se fere nem se engasga.
Mas como hoje é "dia dos namorados", lembrei de uma história (real) do ano passado e, mesmo que não me perguntem, vou contar. Foi o Antônio, aquele meu amigo que é quase uma amiga de tão íntimo. No dia seguinte ao dia 12 de junho, estava eu sozinha, tomando meu deliciooooso café da manhã na cama - (sim, café de princesa, e, ao meu lado, apenas travesseiros brancos de pena de ganso). Era um sábado e eu assistia TV mais interessada na bandeja que me aquecia as pernas com guloseimas. Enquanto espalhava um queijo cottage no pão integral, lembrava que, meses antes, eu discutia com Antonio sobre a (suposta) diferença entre o queijo cottage e o quark, que, pra mim eram a mesma coisa e, segundo a convicção de Antonio, o primeiro era coalhada e o segundo era algo tipo assim...pastoso. - Que bichisse é essa, Antonio, é tudo a mesma coisa!, e assim ficou. Quando espalhei o cottage e dei a primeira mordida, dei-me conta que Antonio tinha razão na precisão das diferenças, e precisei de imediato reparar a injustiça com o amigo. Então digitei um SMS engordurando algumas teclas: "Antônio, amigo, desculpa, tinhas razão, o cottage e o quark são mesmo queijos diferentes! :( Sorry. Bj". E segui meu café da manhã com a geléia, o suco, o leite. Poucos minutos depois, pib-pib, Antônio, em SMS: "É mesmo, amiga, que alívio que já passou essa merda de dia dos namorados. Bj ".
rsrsrsrs
PS1: okei, esta só entende aqueles que costumam acordar sozinhos no dia 13.
PS2: okei, esta foi papinha de abobrinha.
...mas o bicho-blogue ó...shlnhshnshs...nnhac!! Parece até que é bom.
Mas como hoje é "dia dos namorados", lembrei de uma história (real) do ano passado e, mesmo que não me perguntem, vou contar. Foi o Antônio, aquele meu amigo que é quase uma amiga de tão íntimo. No dia seguinte ao dia 12 de junho, estava eu sozinha, tomando meu deliciooooso café da manhã na cama - (sim, café de princesa, e, ao meu lado, apenas travesseiros brancos de pena de ganso). Era um sábado e eu assistia TV mais interessada na bandeja que me aquecia as pernas com guloseimas. Enquanto espalhava um queijo cottage no pão integral, lembrava que, meses antes, eu discutia com Antonio sobre a (suposta) diferença entre o queijo cottage e o quark, que, pra mim eram a mesma coisa e, segundo a convicção de Antonio, o primeiro era coalhada e o segundo era algo tipo assim...pastoso. - Que bichisse é essa, Antonio, é tudo a mesma coisa!, e assim ficou. Quando espalhei o cottage e dei a primeira mordida, dei-me conta que Antonio tinha razão na precisão das diferenças, e precisei de imediato reparar a injustiça com o amigo. Então digitei um SMS engordurando algumas teclas: "Antônio, amigo, desculpa, tinhas razão, o cottage e o quark são mesmo queijos diferentes! :( Sorry. Bj". E segui meu café da manhã com a geléia, o suco, o leite. Poucos minutos depois, pib-pib, Antônio, em SMS: "É mesmo, amiga, que alívio que já passou essa merda de dia dos namorados. Bj ".
rsrsrsrs
PS1: okei, esta só entende aqueles que costumam acordar sozinhos no dia 13.
PS2: okei, esta foi papinha de abobrinha.
...mas o bicho-blogue ó...shlnhshnshs...nnhac!! Parece até que é bom.
04/06/2010
Carniceiro
Eis que o bicho se alimenta fácil e tudo. Tenho dado o que tenho, carne de pescoço - ele mastiga como filé mignon e lambe os beiços como criança. Eeeeita! Estamos nos dando bem.
01/06/2010
Vestindo o espartilho do Vestidomulti de Eliana Guedes, que desenha com mouse, no paint. Fera!
CONTENÇÃO
Se o amor for espartilho,
que segure firme o corpo
e acolha a alma de dentro
Se espartilho for um par,
que ajuste pela cintura um encaixe perfeito
Se for a paixão um espartilho,
que modele os sentimentos
com alguma forma ou razão
Se o tesão for espartilho,
que desabotoe, afrouxe tudo,
e se solte em fetiche louco
Se espartilho for elegância,
que mantenha na moda a silhueta renascentista da frança
Se a paciência for espartilho,
que seja maleável como um hímen
e complacente
Se decência for espartilho,
que não canse, não relaxe, não seduza,
não se venda
não se venda
Se espartilho for castigo,
que exorcize com força dobrada e torturante
os íntimos pecados
Se espartilho for o fim de tudo,
que abra sozinho
e caia sem medo
do chão
do céu
do nada
que aterrisse num leve pouso
sereno
como avião de papel
e liberte
o último suspiro
sem aperto
Arte de Eliana Guedes
Poema de Tatiana Druck
24/05/2010
Alimentando o Bicho
Não que eu seja do tempo da pedra lascada, mas me atrapalho sim com as novas ferramentas da comunicação. É tudo linguagem, eu sei, mas.. vá saber onde apertar os botões pra chegar lá e dar o recado.
Eu prometi pra mim mesma: me relacionaria com os bichos virtuais por mais assustadores que fossem. Encarei Twitter, Orkut, Facebook, páginas interativas de cara estranha e... bom, manda o próximo aí. Esse tal “Blog” tem nome de cachorro fofo de estimação, nunca me pareceu ser dos mais perigosos. Comecei sozinha. Passei a mão de mansinho, dei um sorriso empático (de monstro pra monstro) e fui aos poucos. Bom, estamos quase confiantes pruma amizade mais íntima e prazerosa. Falta um tanto ainda pra ficar uma relação... ãnh, digamos, natural. Mas chegaremos lá se não precisar de pressa. Vou alimentar esse tamagoshi, prometo. Não será todo dia, também prometo. Ele não morrerá de fome, porque é forte e virtual e essa é a vantagem - nem o abandono o mata, quando muito, o desatualiza.
Ah!, e devo dizer que nem tem sido tão difícil assim. É bem verdade que estou tendo a ajuda preciosa (e precisa) do Enrico, o amigo-de-infância que instituí blog-maker sem dar muito espaço pro não - ele investiga, descobre e me traduz... e fica tudo mais divertido.
E também devo esclarecer que não quero mesmo alcançar um controle absoluto de nada, o que facilita o desafio. Só quero poder postar umas coisinhas, uns poemas, contos, opiniões, músicas, sem que o Blog regurgite, entende? Quero deixar bonitinho, encontrar uns links novos, conhecer outros bichos interessantes, trocar idéias e informações, ler, aprender. No mais, se o bicho me morder, tudo bem. Também é bom aceitar o indomável da vida. Conviver com o desconhecido dá um certo frio na barriga.
Eu prometi pra mim mesma: me relacionaria com os bichos virtuais por mais assustadores que fossem. Encarei Twitter, Orkut, Facebook, páginas interativas de cara estranha e... bom, manda o próximo aí. Esse tal “Blog” tem nome de cachorro fofo de estimação, nunca me pareceu ser dos mais perigosos. Comecei sozinha. Passei a mão de mansinho, dei um sorriso empático (de monstro pra monstro) e fui aos poucos. Bom, estamos quase confiantes pruma amizade mais íntima e prazerosa. Falta um tanto ainda pra ficar uma relação... ãnh, digamos, natural. Mas chegaremos lá se não precisar de pressa. Vou alimentar esse tamagoshi, prometo. Não será todo dia, também prometo. Ele não morrerá de fome, porque é forte e virtual e essa é a vantagem - nem o abandono o mata, quando muito, o desatualiza. Ah!, e devo dizer que nem tem sido tão difícil assim. É bem verdade que estou tendo a ajuda preciosa (e precisa) do Enrico, o amigo-de-infância que instituí blog-maker sem dar muito espaço pro não - ele investiga, descobre e me traduz... e fica tudo mais divertido.
E também devo esclarecer que não quero mesmo alcançar um controle absoluto de nada, o que facilita o desafio. Só quero poder postar umas coisinhas, uns poemas, contos, opiniões, músicas, sem que o Blog regurgite, entende? Quero deixar bonitinho, encontrar uns links novos, conhecer outros bichos interessantes, trocar idéias e informações, ler, aprender. No mais, se o bicho me morder, tudo bem. Também é bom aceitar o indomável da vida. Conviver com o desconhecido dá um certo frio na barriga.
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