18/03/2011

Dia Internacional do Sono

Acordei tipo assim, meio sonolenta.
Levantei trôpega e fui fazer café, caminhando pela metade - a alma seguiu deitada na cama, pedia uns minutinhos mais de soneca. Em ato de solidariedade voltei e ajeitei o despertador para às 6:20h, apaguei a luz do abajur, cobri minha alma com edredom leve e sussurrei baixinho: Fique, fique mais um pouquinho na cama, hoje é o Dia Internacional do Sono.

Então caminhei em passos muito suaves para a cozinha, o corpo esvaziado de qualquer consciência, buscando automaticamente o cheiro do café preto como quem procura o seu próprio sentido.             


                         

12/03/2011

Dia Nacional do Bibliotecário

NA BIBLIOTECA                                                           
(Tatiana Druck)



Escolha suas opções
entre histórias, sonhos, mapas, poesia, canções
guia, manual, minutas, roteiros, dicionário
e consulte o sábio bibliotecário
com práticas recomendações

A biblioteca é mundo infinito
labirinto de letras
calendário asteca
conglomerado de cidades
um caleidoscópio de múltiplas verdades


Biblioteca é templo ecumênico, é retiro, é recanto,
Meca, casa de todos os santos,
castelo de boneca


Não há proibições, só encontro
com diferentes crenças e muitas gerações
- livros são motivos
convites vivos para realidades e ficções


Lembrete de cabeceira:
De segunda à sexta-feira
a biblioteca tem produtos na prateleira
sem prazo de validade.



09/03/2011

Quarta-feira-de-cinzas

                     DESENREDO DE SAMBA

Nem rugira o leão da cuíca
e despencou-se a fantasia
tipo planta de outono
- caiu bamba aos poucos

A ala rodou a baiana antes da hora
alegoria pareceu velório
o samba virou rumba mais cedo

Em meio a rumores esparsos
saltimbancos tomaram o asfalto
frieza fez par com o medo

Ouviu-se um “shhh” de segredo
e garis saltitantes se encarregaram do resto:
a limpeza das calçadas

Bailarina tirou o sapato
observou seus pés de palhaço
de duas cores

Nem rugira o leão da cuíca
e ela partiria lentamente
como cinza ao vento

Antes de deixar o aquecimento,
sacudiu o tule, espanou os ombros
e ao ouvir que o ronco da cuíca começava

expulsou da avenida larga das suas costas
todas as mulatas que a habitavam
e também aquela passista de voz embargada

que exigia respostas

08/03/2011

Dia Internacional da Mulher

PARADO XX O
(Tatiana Druck)



Que mulher somos?
um dia certo no mês de março
e um ano todo para cuidar dos nossos
olhos, filhos, afetos, trabalhos e desmaios
ao longo do calendário

Que mulher nos resta de brinde                        
ou contingência
ou garantia
ou ganância

malabarista, puritana, ativista, madame, mundana
erudita, sensual, cibernética, espiritual
eclética, cansada
coca light, whisky sem gelo,
baba de moça, chá de jasmim

Que mulher tocou pra mim, afinal -
a que abraça o mundo ou a de mãos atadas?

Que mulher somos?
Assopramos feridas,
viramos de ponta cabeça,
reviramos lixo,

com DNA maiúsculo de bicho
e um H pra lá de humano.

07/03/2011

Leituras de Mundo

Foi muito generosa a resenha e crítica feita pelo jornalisra e mestre Romar Beling na Gazeta do Sul e também a postagem no seu blog: Leituras de Mundo (http://www.gaz.com.br/blogs/leiturasdemundo/posts/3297-par_e_impar.html).
É com impulsos generosos como este que o autor estreante leva adiante a lapidação da sua arte bruta.

Par e ímpar, de Tatiana Druck. Porto Alegre: Mecenas; TAB Editora, 2010. 115 p.
O Par e ímpar configura a estreia de Tatiana Druck na poesia. E há no livro tudo o que rima com a melhor literatura. Carioca radicada em Porto Alegre, mereceu, a título de apresentação, palavras elogiosas de Luiz Coronel e Cíntia Moscovich – é egressa das aulas de criação literária do curso que Cíntia ministra. Mas nada é mais contundente do que seu próprio verso para confirmar a eficiência do seu radar na prospecção do mundo interior. Tatiana brinca, ousa, desarma, e de novo arma; a poesia tem, entre outras tantas virtudes, a delícia de subverter lógicas no amor, na dor, no desenraizamento, na arrogância. Onde a palavra poética reina, toda certeza e toda tristeza vivem sua quarta-feira de cinzas; a teoria é esquadro, a realidade é mão livre. Um drops, o poema Esboço: “Abriu a caixa / saiu da casa / perdeu o chão / quebrou a asa / pisou em vão / disse que sim / disse que não / pensou em esquadro / e rabiscou à mão”.

23/11/2010

Boleiras


Meu pai leu o jornal de ontem e me ligou perguntando o que faziam as três filhas dele de chuteiras no Especial do caderno de esportes do Correio do Povo:

- Putz, pai, onde foi que tu errou?!?

rsrsrsrsrsrrsrsr...

07/11/2010

Par e Ímpar na Feira!


Primeiro, a queridíssima recomendação do LP Faccioli no blog da Band News para aquisição na Feira do Livro de POA:  www.bandrs.com.br/emporiocultural/index.php?main=coment&id=318 .


Depois, o Par e Ímpar bem posicionado nas Bancas 47 e 110.



Por fim, a pessoa aqui, contemplativa, mais criatura do que criação.

27/10/2010

POLVO PAUL 2008 - 2010 (Carta de Povo para Polvo - 16.7.2010)

Em homenagem ao querido Paul, que morreu ontem no Aquário de Oberhausen, publico uma carta que escrevi em julho de 2010. Nela, faço um pedido a Paul, em nome do meu povo. Acho que essa carta nunca chegou às oito mãos de Paul. Pudera, em vez de remeter ao Sea Life Center, na Alemanha, enviei à revista Jogando com as Palavras, que reunia textos referentes à Copa do Mundo. Desculpa, Paul, o meu erro de destinatário.  




UM PAPO DE POVO PARA POLVO

Eu sei que ofereceram mais de trinta mil euros por adivinhações da sua cabeça, Paul, enquanto lulas gratinadas no melhor restaurante europeu custam certa de vinte e cinco. Eu sei que você foi o craque da Copa do Mundo e que mobilizou a mídia de tal forma que seria justo se você aparecesse na festa de encerramento fardado com roupa de borracha da Nike depois de ter assinado (a oito mãos) alguns contratos milionários. Você saiu bem na foto. Muito melhor que a Jabulani, muito melhor do que a Shakira e, infelizmente, melhor também que a seleção brasileira. Certo, você é a autoridade, o senhor infalível das grandes previsões e daqui a pouco já não se discutirá em alta cúpula se as tropas americanas devem invadir Iraque ou Afeganistão; tudo dependerá da direção em que você apontar seus tentáculos – prepare seus palpites, Paul, Barack Obama poderá lhe procurar com dilemas importantes.
Então eu sei que você não tem tempo para minhas angústias, e não me daria ouvidos nem se eu prometesse amá-lo por toda a vida e acordá-lo diariamente com um prato de mexilhões. Eu reconheço que faria muito mais, eu dividiria um aquário pequeno no subúrbio, controlaria a temperatura da sua água, me avizinharia de arraias traiçoeiras, compraria pessoalmente as oito alianças de noivado, gastaria meu salário em ostras, tudo para agradá-lo e tê-lo ao meu lado, guiando minhas decisões, das mais rotineiras às mais complexas: - e agora, querido Paul, açúcar ou adoçante? Esquerda ou direita? O vestido decotado ou aquele tailleur clássico? Poupança ou CDB? Céu ou purgatório? E você, como um poderoso chefão, ali, dando as coordenadas nas encruzilhadas da vida, tipo GPS particular. Ah, eu faria sacrifícios indescritíveis por você, Paul, acredite.


Mas sei que minhas promessas não significam nada perto do que o mundo tem a lhe oferecer. Você mora numa Alemanha perfeita e organizada e já é questão de Estado na Espanha, cujos ministros estão promovendo medidas extremas por sua adoção. Você tem o puro sangue inglês de nascimento, trejeito elegante, pele sensível, e é um sujeito frio, frio como um pecilotérmico marinho deve ser. Você não iria querer mistura com minha raça.

Por isso, Paul, em vez de um pedido de casamento, trago, nesta carta, um pedido de socorro, de povo para polvo: eu vivo num país sofrido e de definições pouco confiáveis. Esse país receberá a Copa do Mundo em 2014 e você não pode imaginar a quantidade de escolhas certeiras que precisaremos para que esta oportunidade não se transforme num caos social e econômico. Necessitamos de sua preciosa ajuda até lá. Mais do que todo o mundo.

É claro que gostaríamos de vê-lo ao vivo e a cores na próxima Copa, Paul, esteja certo de que o receberíamos com pompas de autoridade. Mas sua vida de cefalópode é curta, e você já se encontra na maturidade. Infelizmente, é pouco provável que nos vejamos em 2014. Então, antes que o mundo deposite dilemas e mais dilemas sobre suas costas invertebradas acabando com sua paz, antes que os predadores humanos desgastem suas ventosas com questões complexas até que você sucumba, pense nas questões existenciais banais, da sobrevivência e da reprodução e então... fuja, Paul! Fuja para o Brasil e descanse enquanto é tempo. Tire férias. Desfrute do clima temperado e das nossas praias maravilhosas. Usufrua nossa amigável hospitalidade. Seja bem-vindo. Relaxe seu corpo mole de polvo. Coma ostras. E sobretudo... reproduza!! Para o bem dos polvos e felicidade geral da nação, rogo-lhe que antes de aposentar suas chuteiras de artilheiro invicto, Paul, deixe-nos a alegria de um sucessor brasileiro para a Copa do Mundo de 2014, que atenda pelo nome de... Paulinho.




27/09/2010

Inimputabilidade



Tá, vou ter que dividir essa. E encher a boca do Blog-filhote de alfafarelatos, já que nada mais me surge senão falar da vivência, que têm sido tão, tão, digamos, transbordante de acontecimentos e, juntando isso com o trabalho, quase não dá tempo de pentear o cabelo, o que dirá criar ficção. Então é o seguinte: a história é do meu aniversário de quarenta (credo, quarenta???) e se passa na Bahia. É que não foi só um dia de aniversário, foi uma semanona de comemorações, tipo semana da pátria. Me sinto uma instituição. Tá certo que quarenta a gente não completa todo dia, só quando chega no primeiro terço da vida, mas, por mim, as pessoas fariam semanário de aniversário todo ano, e em qualquer idade. Bem, deixemos isso prum bom projeto de lei pós-moderno. Como eu ia dizendo, visto que a alegria encompridou-se por uma semana, e eu vivi muitas, mas muitas descobertas mesmo, fiz um diário. Tipo aqueles dos doze, treze anos. E vou colocá-lo aqui, na boca do bicho, dia por dia, em ordem cronológica, a começar pelo dia 11/09, quando tudo começou, em “A Metamorfose” (ou “o velho truque de mudar de idade mudando a latitude e a atitude”).
Uma prima assegura que envelhecer é bom porque a cada ano vamos ficando mais inimputáveis. Acho que a gente vai podendo mais, mesmo. Fazer, falar, decidir,comer, pensar. Compensando a quantidade de desvantagens (sim, porque sem essa de que “tá tudo cada dia melhor”, porque não é bem assim; há coisas melhores e outras mais caídas e murchas - sem hipocrisias), voltando ao assunto: pra compensar as desvantagens, acho que a cada ano a gente deve menos explicações ao mundo. Chega uma hora em que a gente pode tudo, até arrotar alto sem medo de ser multado. E isso não deixa de ser uma forma de rejuvenescer. Acho que foi isso que a prima quis dizer com inimputável. Bom, minha caminhada oficial rumo a inimputabilidade começou, então, no dia 11, com o velho truque, aquele.

26/09/2010

roooonc...

Eis que o bicho acorda com a barriga roncando de fome e reclama da quase-inanição. E eu, com dor na cabeça-tronco-e-membros, toda gripada como nunca, digo que não, mas logo lembro que andei comendo tanto ultimamente, e tão gostoso, que fico culpada e levanto toda errada pra fritar um ovo, que seja. Mas bicho quer posts, palavras e mais palavras, está faminto. Com razão. E hoje é domingo. Vou ver o que consigo num rápido preparo de forno ou fogão.

11/09/2010

Metamorfose (ou "a velha receita de mudar de idade alterando latitude e atitude")


Tinha uma coisa estranha que cutucava no pé todo o mês de setembro. Começava com uma leve cócega, e mal percebia. Mais uns dias e sentia produzir uma dose extra de melanina que pigmentava ao redor e a partir daí ardia. Dali a pouco rompia derme, depois epiderme e todas as barreiras físicas. Então brotava uma pontinha. De cor branca, parecendo pluma. De repente, irrompia uma asa no pé. Ela, então, partia.


Todo setembro nascia um pé de vento que soprava na direção norte, rumo à Bahia. Era um modo de renascer, e não apenas aniversariar.

03/09/2010

As Meninas

Neste cenário onde todos os olhos são opacos, inquietos e corriqueiros, vejo minha angústia em pelo menos dois pares deles. O cachorro se faz de surdo, impassível. Não bule. Não se incomoda nem com o pé do menino que lhe perturba em cutuques extremos. Pensa em morder uma perna de criança, rosnar, latir, mas fica ali, refém de suas próprias pulgas. - Incomodo este cachorro, porque estou incomodado comigo mesmo. Tento acordá-lo porque nunca durmo. E os reinados ali, adjacentes, circunvizinhos, cada um no seu território humano, às vezes canino.

21/08/2010

AS VÁRIAS HISTÓRIAS DO CHAPEZINHO VERMELHO


É manjado, mas sempre bom relembrar em tempos de campanha eleitoral, as muitas maneiras de se contar a mesma história. É a evidência de que a palavra normalmente está a serviço de uma causa, e que em algum momento revela sua mensagem subliminar.
Lá vai. 
A notícia do caso do Chapeuzinho Vermelho na imprensa:

JORNAL NACIONAL
(Bonner): "Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem..."
(Fátima): "... mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia."

PROGRAMA DA HEBE CAMARGO
(Hebe ) "... que gracinha, gente. Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi
retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?"

BRASIL URGENTE
(Datena): "... onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades?! A menina ia para a casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva... Um lobo, um lobo safado. Põe na tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de #$*#@&^%#, não !!"

REVISTA VEJA
Autoridades sabiam das intenções do lobo.

REVISTA CLÁUDIA
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.

REVISTA NOVA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.

REVISTA ISTO É
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.

FOLHA DE S. PAULO
Legenda da foto: 'Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador'. Na matéria, quadro explicativo dos hábitos dos lobos e infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.

O ESTADO DE S. PAULO
Lobo que devorou Chapeuzinho seria ativista da CUT.

O GLOBO
Petrobrás apóia ONG do lenhador, ligado a políticos do governo, que
matou um lobo pra salvar menor de idade carente.

ZERO HORA
Avó de Chapeuzinho nasceu no Rio Grande do Sul.

REVISTA CARAS
(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte)
Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho confidencia a CARAS:
"Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa"'

PLAYBOY
(Ensaio fotográfico com a Vovó, no mês seguinte)
Veja o que só o lobo viu..

G MAGAZINE
(Ensaio fotográfico com o lenhador)
Lenhador mostra o machado.

SUPER INTERESSANTE
Lobo mau : mito ou verdade?

15/08/2010

PALAVRA



PALAVRA DE HONRA

...e a hora da verdade, ou do politicamente incorreto.


Charles Maurice de Talleyrand-Périgord, um estadista francês que tomou parte importante nos acontecimentos da Revolução no final do século XVIII, cunhou uma curiosa citação: "A palavra foi dada ao homem para esconder o que pensa". Glup, silêncio.
Se a idéia era causar-impacto-disfarçando-a-realidade, tá certo, mandou bem, e a palavra o ajudou. Mas se o cara queria mesmo falar a verdade, - vas y, j`èn ai marre - penso, com todas as letras, que o Príncipe de Beneveto se  a-p-a-t-r-a-l-h-o-u  um tanto.
Quem é esse homem afinal? Um mágico de oz? Um camuflador? Impostor de marca maior? A palavra, por mais cuidadosamente manipulada, revela. E a palavra escraviza, meu senhor. Ao mesmo tempo que liberta, também aprisiona. A palavra denuncia até o submundo mais enterrado. Nem no banho fico tão nua quanto quando escrevo. Sou exposta, disposta da forma mais inóspita. A palavra descortina. Uma amiga diz que não escreve porque tem medo do que as pessoas farão com o que sabem dela, e porque não conseguiria olhar nos olhos de quem a lê: “Eu não conheço o peso da palavra viva”, disse ela. É um direito, eu respeito.
A palavra grita aos ventos, palavra não tem pudor. Não esconde, não se subjuga nem se apaga. Não guarda segredos, jamais.
Onde está este homem que consegue esconder seu pensamento?
Quando escrevo, eu me tatuo com a verdade da palavra e levo essa pele para todos os tempos verbais.




DICA DE CANTO: Bonito é quem constrói um canto certo para a palavra politicamente incorreta, mas não a cala. Recomendo um Blog maravilhoso, inteligente, divertido e POLITICAMENTE INCORRETO (Thanks, God!). É o da prima Ana Paula Ávila, genial: http://wwwmeenganaqueeugosto.blogspot.com/




Obs: Essa frase "A palavra foi dada ao homem para esconder o que pensa" está citada no rodapé de "Os Miseráveis", de Victor Hugo. Praticamente no porão. Mesmo assim, me alcançou, e me revelou pensamentos revolucionários. Mérci bien!

14/08/2010

Par e Ímpar na roda!

O Poder da Gôndola

Me falaram, mas eu não tinha acreditado. Depois mais gente falou, e mais, e mais. Aí fui lá ver com meus próprios olhos bobos. E tirar foto desse momento ímpar...

O Par e Ímpar andou na gôndola central da Livraria Cultura! (-noooossa, que honra), e bem posicionado também na Saraiva (-that`s my guy!). Puxa, a gôndola central é lugar dos bestsellers, ou de livro muito bem patrocinado, lobby das big editoras; não é meu caso - ni un, ni l'autre. Tá bem que já repus estoque de 3 livrarias, mas, daí até a gôdola central, báh, são uns tantos quilômetros. Cheguei a achar que algum funcionário tinha esquecido ele ali sem querer, enquanto  arrumava livros. Aí deu um tempinho e fui lá conferir, "bater um retrato" do bebê na ciranda, como se tivesse na pracinha em dia de sol. O vendedor me disse que tinham acabado de tirar o Par e Ímpar dali e levado ele pra...vitrine!

Olha ele ali, todo corajoso entre os mais mais. Mazááááá, guri.
E eu toda boba.

13/08/2010

SEXTAFEIRATREZE

Voltei. Sexta-feira, dia 13. É agosto.


A bruxa que me habita anda bem solta. Dentro de mim. Sua vassoura é minha imaginação. O espaço de acontecimento é limitado. Alguns vôos cegos contra as paredes dos meus limites a faz circular um pouco e esmorecer rapidamente. Cai sorrindo. Sinto o corpo tremendo e fumaça verde saindo pelo ouvido. Que diferença, ser sexta-feira. Que importância nossos sextos-sentidos, se estão em cestas-básicas de fome. Não enchemos nossa barriga que ronca. Enchemos lingüiças da vida, com carne defumada e papelão molhado, é pobre o conteúdo. Não satisfaz. Seguimos famintos pelo caminho.Tem uma inquietação que devora por dentro em pequenas mordidas que parecem cócegas se nos distraímos. E ardem se nos revoltamos.

Chove na rua, ventam os uivos gelados do inverno e o vazio traz um frio mórbido, mas refrescante. Apesar de tudo, estou feliz. Me organizando. Há séculos que não tenho um final de semana só pra mim.
Que importa, ser dia treze. Qualquer noite de liberdade já é um ano no calendário gregoriano. Vou ficar comigo. Só. Hoje não cabe mais gente nessa redoma repleta com minha própria multidão. Não há desgosto num mês como este. Sinto um gostinho manso do que está por vir e salivo. Já nem lembro o quanto fui em outros tempos. Agosto não é um susto, é um mês marcado pelo encontro certo com nossos demônios que soltam foguetes no salão de festas da nossa inconsciência e nem ouvimos. Não os espantemos, eles são santos, são de casa. Fazem milagres. E daqui a pouco já será outubro.

12/08/2010

Saída de Emergência



Toda vez que decolo,
me descolo do que eu conheço

perco o chão de repente,
viro agente-secreto do meu medo

Sobrevôo nuvens pretas de pensamento,
deito o rosto no meu próprio colo e me acolho.

Em meio à turbulência
me encontro com vivências fantasmas que teorizo.

Quando o avião aterrissa,
pouso a razão sobre minha cabeça

com pressa despressurizo a tristeza
recolho meu trem de pouso

e parto à jato para a vida.

presidenciáveis

Dilma terá o maior tempo na propaganda eleitoral gratuita. Três minutos a mais do que o Serra. Não é por conta da coligação, é porque mulher fala mais mesmo, sempre foi assim. Deveria ter mais gavetas e mais espaço no armário também. O TSE sabe disso. Respeitou a natureza das coisas e decidiu com base antropológica. O Ivan Pinheiro, por mais homem que seja, terá que caprichar na síntese, são 55',56'' de voz. Seu nome não é Enéas, mas quase. É uma pena que não haja muito espaço na política para proparoxítonas. Tipo lím-pi-do. Tipo é-ti-ca.

Recebi por e-mail uma idéia genial, supostamente sugerida por Rita Lee e seu espírito crativo:
Reclamando da inutilidade de programas como o Big Brother, ela deu a sugestão de colocar todos os pré-candidatos à presidência da República trancados em uma casa, debatendo e discutindo seus respectivos programas de governo. Sem marqueteiros, sem assessores, sem máscaras e sem discursos ensaiados. Toda semana o público vota e elimina um. No final do programa, o vencedor ganharia o cargo público máximo do país. Além de acabar com o enfadonho e repetitivo horário político, a população conheceria o verdadeiro caráter dos candidatos. Assim, quem financiaria essa "Casa dos Presidenciáveis" (e, portanto, a campanha política de todos eles) seria o repasse de parte do valor dos telefonemas que a casa receberia, e ninguém mais precisaria corromper empreiteiras ou empresas de lixo sob a alegação de cobrir o 'fundo de campanha'. A idéia não é incrivelmente boa?

08/08/2010

dia dos pais


LULLABY

Mãe e Pai é presença
que não termina

permanência em refrão
da canção da vida

a soar como cantiga
conhecida e ritmada
de ninar




poema de Tatiana Druck
foto de Enrico Benites

11/07/2010

POLVO PAUL É CAMPEÃO!!!

Polvo Paul, se eu tivesse oito braços, eu o cumprimentaria apertando simultaneamente todas suas mãos vencedoras. Você foi impecável nesta Copa. Igual à Espanha.
Meus sinceros parabéns!