É fato medido e constatado: elas colidem menos.
Por isso o seguro de automóvel para motoristas mulheres é mais barato que para o sexo masculino. Não importa que elas não usem o pisca-pisca e parem o trânsito para estacionar em amplas vagas. Ou que virem a cabeça e o tronco inteiro em vez de apenas olharem pelo retrovisor. Tampouco importa que insultem histericamente quando deveriam pedir desculpas. Que atropelem cones e outros obstáculos neutros como pedras e calçadas. Que chorem ao volante quando se perdem. E abanem para o pardal retocando batom pelo espelhinho. Não importa. As idiossincrasias femininas não contam nas estatísticas do seguro. O que importa para os contratos de seguro é o quanto as mulheres usam suas apólices, e nisso somos muito comedidas, resultando num bom desconto em geral.
Por isso o seguro de automóvel para motoristas mulheres é mais barato que para o sexo masculino. Não importa que elas não usem o pisca-pisca e parem o trânsito para estacionar em amplas vagas. Ou que virem a cabeça e o tronco inteiro em vez de apenas olharem pelo retrovisor. Tampouco importa que insultem histericamente quando deveriam pedir desculpas. Que atropelem cones e outros obstáculos neutros como pedras e calçadas. Que chorem ao volante quando se perdem. E abanem para o pardal retocando batom pelo espelhinho. Não importa. As idiossincrasias femininas não contam nas estatísticas do seguro. O que importa para os contratos de seguro é o quanto as mulheres usam suas apólices, e nisso somos muito comedidas, resultando num bom desconto em geral.
Nosso comportamento de risco no volante é baixo, dizem as tabelas atuariais. Nossos problemas são outros. Por isso, foi bem oportuna a leitura de mercado feita por uma Seguradora brasileira recentemente. Recebi mala-direta anunciando um Seguro Auto Mulher – porque você tem um jeito próprio de ser, com “serviços exclusivos para suas necessidades, assim você fica protegida e evita aborrecimentos”.
Além da cobertura contra furto, roubo e danos, são oferecidas garantias inéditas como a troca de pneu (detalhe: sem limite de utilização), o acompanhamento até a delegacia, a isenção de franquia na primeira batidinha e – tchan, tchan tchan tchan – um Motorista Amigo para levar você e seu carro para casa após a meia-noite! Uau, nossos problemas estão resolvidos. Faltou a publicidade esclarecer se o sujeito acompanhante é tecnicamente preparado. Significa dizer: se tem formação em psicologia e primeiros-socorrros. Convenhamos, acompanhar mulher sozinha em condições ideais de temperatura e pressão já não é tarefa simples, imagine depois da meia-noite. Vá saber o quanto o Motorista Amigo terá de ouvir, suportar, administrar. Uma rápida lista de suposições me veio à cabeça e concluí que pode ser mais complicado que colidir de frente contra jamanta.
Pense na situação: passa da meia-noite, a carruagem já virou abóbora. A moça segurada está sozinha e o Motorista Amigo é chamado para ir ao local acompanhá-la de volta ao lar. Tudo limpo até aí. Então começam os “es”: e... se a mulher estiver saindo de uma festa onde pegou o namorado cantando uma loirona vestida de Sabrina Sato? E se a infeliz ainda está em TPM? E se além disso for noite de lua cheia e véspera de seu aniversário? E se mandar o Motorista Amigo dar um cavalo de pau e estacionar em frente ao bar para acertar as contas com o cretino? E se – muito pior – pedir que rume para casa enquanto desabafa pelos próximos 50 km, hein? E se ela tomou umas vodkas russas (o soro da verdade) e está a fim de discutir, divagar e divulgar a relação? (Um DDDR básico), hein, hein? E se ela ainda por cima quiser saber a opinião do sujeito acompanhante?.. E...
Céus, fico calculando a relação de riscos e danos. Se o Motorista Amigo não estiver devidamente preparado para esse serviço opcional, irão por água abaixo nossos descontos especiais no seguro. O cara certamente ficará atordoado e baterá o carro violentamente contra um poste, com perda total - afinal, o Motorista Amigo é um homem no volante.
























