Mulher argentina tem fama de durona com os homens. Dizem que para descolar um papo com uma portenha não basta ter voz. Nem um par de olhos verdes, um reforçado conjunto de bíceps, ser ex-BBB. Dizem que para seduzir uma argentina não funciona nem mesmo pilotar um jaguar ou outro bicho exótico, o que vale é a boa lábia. E não adianta falar espanhol perfeito e mais cinco línguas. Tem que falar a língua dela. Um espaço onde todos os bichos que habitam a criatura se encontram. Principalmente os sem doma.
20/10/2012
Mulher Pistache
Mulher argentina tem fama de durona com os homens. Dizem que para descolar um papo com uma portenha não basta ter voz. Nem um par de olhos verdes, um reforçado conjunto de bíceps, ser ex-BBB. Dizem que para seduzir uma argentina não funciona nem mesmo pilotar um jaguar ou outro bicho exótico, o que vale é a boa lábia. E não adianta falar espanhol perfeito e mais cinco línguas. Tem que falar a língua dela. 18/10/2012
no dia do médico
12/10/2012
No Dia das Crianças
04/10/2012
Dia do Cão
foram ver televisão
do papel clichezento de inimigo mortal
01/10/2012
Dia Internacional da Terceira Idade
27/09/2012
Dia Nacional do Idoso
Fórmula para depois dos noventa
Frio na barriga num avançado ponto
da existência?
Experimenta misturar:
água com gás, gelo seco,
eucalipto e halls de menta.
21/09/2012
Dia da Árvore
EM ARBORIZAÇÃO
Quisera ser pra sempre um Jasminzinho
Canela-rosa, Erva-santa
Dama-da-noite, Amor-Perfeito
teu Lírio da Paz.
O sol bateu e bem-te-vi não apareceu.
Como um Chorão, entristeci.
Lá vou eu, Imburana-de-espinho, Pindaíba-preta
Canudo-amargoso, Maricá sem flor
Pata-de-vaca, Embiruçu-peludo
Entre um inverno e outro eis que chega a primavera -
abre olhos, bocas e botões
O Infalível tem ramos acinzentados
tronco tortuoso e por cima é feio.
Jacarandá é a árvore mais linda que há
- mas só por dois meses e meio.
A Aroeira, tão condenada, tem copa globosa.
A Guaximinga, nome feio e flor perfumada.
Nem só frutos, nem só folhas
Só larva ou só maçã
Perdas entre escolhas
Aqui floresce o Ipê; lá, o Manacá
Do galho seco vem a romã
Em cada canteiro um encanto
por diferentes tempos e cheiros
Tudo brota do seu jeito
E o Para Sempre, não há
Nem na longa vida do Jequitibá.
17/09/2012
Dia Mundial da Compreensão
12/09/2012
Da série Celebrando as Amizades de Valor
06/09/2012
Bípede Retumbante
31/08/2012
Morte Digna - homenagem à resolução do Conselho Federal de Medicina que regulamentou a "morte digna" de pacientes terminais, publicada no Diário Oficial em 31.8.2012.
27/08/2012
Prove que você não é um robô
Tem muita coisa incrível nessa blogosfera. Andei zapeando por blogs de literatura nunca antes navegados e deixei comentários no que encontrei de legal.
Devo confessar que adoro a parte do “prove que você não é um robô”. Quando preencho a sequência de letras e números anti-spam do blogspot, é claro que não me contenho em fazer cara estranha e voz metalizada - por mais idiota que seja imitar voz de robô enquanto se digita.
Impossível tolher a imaginação: fico torcendo para errar o código e voltar uma mensagem dizendo: “você errou, você é um robô”.
É bem possível que eu seja e não saiba. Meu celular é um android. Para entrar no computador, preciso código de acesso. Saco grana com cartão magnético e biometria da mão. Para checar e-mail, informo usuário e senha. Blog, senha. Facebook, senha. Em casa, só o micro-ondas não exige senha. Por enquanto.
A vida é robotizada nas rotinas. Com o mesmo ringtone, o celular desperta às seis e quinze da manhã todo dia. Aperto um botão para calar a valsa, sento na cama, tomo um gole de água, tateio em busca dos óculos e levanto para tarefas automáticas. No meio deste passo a passo, alguns estalos de pescoço é tudo que tenho para provar que sou feita de ossos e tendões.
Pense bem, o que somos no engarrafamento se não robôs em movimento inconsciente e mecanizado? Primeira - freia – neutro – primeira – freia - neutro. Soldados que aguentam as agruras com nervos de aço. No ônibus, um passinho à frente, por favor. Ficamos parados em filas em modo loading, cumprimos a burocracia das repartições públicas. Céus, ouvimos campanha eleitoral sem jogar laranjas! Movimentos pacíficos, apáticos e pré-programados. E no fim aquele sorrisinho simpático-metálico, que é mais politicamente moderno do que o amarelo.
Então, prove que não é um robô.
19/08/2012
Dia mundial da Fotografia
15/08/2012
Dia internacional da informática
02/08/2012
Olimpíadas 2012 - entre Micos e Gorilas...
"Antes de aprender a técnica, aprende-se a etiqueta; antes de praticar as artes marciais, pratica-se a moral." (ditado popular das artes marciais).
A judoca húngara Abigel Joo lesionou-se hoje durante a luta das quartas de final em que ganhava da americana Kayla Harrison. Que wazari, um wazarão! A americana não perdoou a vulnerabilidade da adversária e focou na perna lesionada. A húngara aos pedaços, metade atleta, metade gorila, não se entregou. Como um bruce lee guerreiro, lutou até a morte - mancando, gemendo, pulando num pé só, derramando dor sobre o tatame. Caiu de pé. Pé manco, mas de pé.
Na quadra de Badminton, a favoritíssima dupla de chinesas Xiaoli Wang e Yang Yu, número 1 do mundo nesse esporte, já classificadas, erravam saque de propósito, jogavam a peteca pro mato, cortavam na rede como se fossem minha avó, e não como donas do ouro olímpico de 2008. Isto tudo para pegar um confronto mais fácil na próxima fase. Já estavam classificadas e jogavam para perder, manipulando o resultado em busca de um caminho tranquilo (leia-se, sem luta) rumo à final. Corpo-mole estratégico das moças. Um desrespeito ao esporte e a quem pagou para ver. O lendário dragão chinês não perdoou a falta de ética desportiva e expulsou as chinesas da competição olímpica. Saíram vaiadas, anunciando aposentadoria, decepcionando o mundo. 07/03/2012
Dia Internacional da Mulher
Que mulher somos?
um dia certo no mês de março
e um ano todo para cuidar dos nossos
olhos, filhos, afetos, trabalhos e desmaios
ao longo do calendário
Que mulher nos resta de brinde
ou contingência
ou garantia
ou ganância
malabarista, puritana, ativista
madame, mundana
cansada
erudita, cibernética, espiritual
whisky sem gelo ou chá de jasmim
27/02/2012
FELIZ ANO NOVO!
Volto quando o país todo volta à vida urbana séria: depois do Carnaval. Quarta-feira nada, a engrenagem começa sempre na segunda. Como a dieta do Garfield.
Tive um semestre de recesso no BichoBlogue, que, por ser hobby, tem que se acomodar depois das prioridades de trabalho e família. Ficou tudo muito apertadinho… então, a pausa. O bicho tem fome mas sabe esperar quietinho.
Tenho razões justificáveis para o recesso: entre tudo, passei arrumando a casa. Era preciso. Em julho de 2011 ganhei o mais belo presente da vida: uma nova filha. As circunstâncias do “parto” envolveram tristezas, mas ela chegou linda e saudável. Com 13, prontinha da silva. Nosso “bebê” tinha um leve ar de fragilidade envolvendo a alma forte. Uma vontade de estar em paz e a perseverança necessária para ir em frente. Já sabia caminhar firme. Logo tomou conta do espaço, da família, do clima, do destino. Capacidade de ser feliz vem de berço, o resto é construção. Ela teve uma mãe que a soube educar impecavelmente e amar com intensidade. Agora tem um pai que saberá conduzi-la com amor rumo à independência. Nesse cenário, estarei junto costurando a história. Foi um privilégio mágico que a vida deu. Estamos todos felizes. Tem irmã nova no pedaço.
E eu, mãe de trigêmeos adolescentes, praticamente, vou tentar ser frequente por aqui. Se não der, é por conta de alguma necessária pausa pra varrer a casa. Sempre que a barra tiver limpa, eu volto.
Desejo um feliz ano a todos!
Para este reinício, publico um poema meu aprovado no último concurso Crônica e Literatura: prêmio literário Ferreira Gullar 2011.
TRAVESSIA
Não tenha medo da tristeza - não é ponto de partida nem lugar de destino
Não é ninho, não é clausura
Nem é parte do corpo da gente
Tristeza é só uma ponte - com paisagem obscura.
Aponte o dedo para frente
e atravesse sorrindo
Estamos sempre de passagem pela loucura.
18/07/2011
ENTERRO DE ELEFANTES E OUTROS BICHOS GRANDES
Uruguai, um país chiquitito comparado à Argentina. O território é vinte vezes menor. A população de uruguaios é dez por cento a de argentinos. Dentro de campo, porém, são onze para cada lado e ponto. No futebol o Uruguai não tem inferioridade proporcional às suas dimensões. Basta ver o empate de títulos: 14 Copas América para cada país; 2 Copas do Mundo para cada seleção; 2 Olimpíadas para cada nação.
No jogo deste sábado se viu mais uma vez que o pequeno hermano não se intimida diante do irmãozão. Foi 1x1 no tempo regulamentar, 0x0 na prorrogação e, durante todo o jogo, mesmo com um jogador a menos, Uruguai parecia maioria, parecia maior, parecia urgente. Um gigante.
Eis o fator que sempre desequilibra: a raça (conhecida como “alma castelhana”). Jogadores que “ponen todo en la cancha”, regidos por um maestro, levaram o jogo aos pênaltis em favor do Uruguai, numa típica superioridade de espírito e de grupo.
Raça, o hormônio do crescimento. o elixir do heroísmo.
Foi assim que a celeste olímpica em 16 de julho sepultou definitivamente o elefante argentino num estádio de maus presságios, já apelidado de “cemitério”. Um Elefantazo.
E foi com o truque da raça que – também num 16 de julho – Uruguai enterrou o Brasil na final da nossa primeira Copa em casa, em 50. Davi contra Golias. O Maracanazo.
Nelson Rodrigues disse sobre Obdulio Varela, o capitão uruguaio em 50: “ele não ata as chuteiras com cordões, mas com as veias”.
E numa entrevista à Placar, o capitão confirmou o segredo: “O bonito não ganha jogo. Para ganhar é preciso luta, garra. O grito bem dado é um jogador a mais dentro de campo”.
Tiremos a lição. Raça faz as coisas pequenas ficarem grandiosas. Faz um time de onze parecer um exército de milhares. A raça é o verdadeiro craque.
De que adianta nascer gigante? O Brasil tem 8,5 milhões de km de território; quase 200 milhões de habitantes – e onze deles de salto alto num campo de areia fofa. Era o que bastava para um Canarinho grandão virar passarinhada deglutida por bicho pequeno com um pouco de farofa. Pato, ganso, um tucano novo com bico muito grande, gazelas saltitantes e outras aves de plumagem duvidosa, tipo corvo ou gavião. Tudo na panela com sabor indigesto para nós que torcíamos. Onde anda a pátria de chuteiras?
Elefantazo. Maracanazo. Brasil e Argentina e seus pesos pesados. Eu admiro (e invejo) os uruguaios. Gostaria que o futebol brasileiro tivesse menos graça e mais raça. Raça é o bicho.












